ELES JÁ ESTAVAM AQUI

  

Segundo o poeta Ferreira Gullar “a arte existe porque a realidade não basta... O que eu quero é sonho”. Desse sentimento intrínseco a alma humana, surge a arte da qual trata essa exposição. Uma arte nativa, brasileira, que eclode do desejo ( ou necessidade ) de criar, de um povo com uma visão de mundo única, de gestação multicultural. A arte vista aqui já existe mesmo antes de ser pensamento.

 

O que interessou na formatação dessa exposição, muito além do que qualquer codificação ou tentativa rasa de nomenclatura e definição de estilo, é a pessoa destes artistas, suas origens, seus desejos, e o porque do trabalho de cada um ser tão visceral e único. Mais que isso, entender que sem saber, nos propõem um novo sentido ao entendimento a arte no tocante à sacralização que a Renascença nos legou. São indivíduos cuja criatividade espelha um viver assumido, onde a imaginação reintegra e reinventa os objetos do existir.

 

Nessa arte dita “popular”, o social, o econômico, o geográfico, o religioso, o estético e o funcional se complementam de modo natural e dinâmico. O fazer artístico, como processo vital ligado a condição humana, encontra nos artistas dessa exposição seus canais amplificadores, onde a partir da sabedoria e das experiências herdadas, transcendem o ato do simples fazer alcançando o “Sonho”, como na frase de Gullar.

 

E sim, essa arte já existia, antes de tudo, porque é a essência de um povo que se materializa enquanto desejo criativo. Desses artistas sem erudição acadêmica ou formal, mas forjados pela vida, pelos seus antepassados e que através de “uma força maior”, sublimam o conhecimento ancestral e constroem uma estética própria, elaborada e sofisticada. São subversores inconscientes de um padrão tanto de processo quanto de criação e por isso sua potencia merece ser vista e pensada como força motriz essencial para a formação de uma identidade cultural verdadeiramente Brasileira.

PAULO AZECO

Curadoria e texto

Exposição "ELES JÁ ESTAVAM AQUI"

Artistas: Agnaldo dos Santos, Artur Pereira, Conceição dos Bugres, Chico da Silva, GTO, José Antonio da Silva, José Bezerra, Lorenzato, Maria Auxiliadora, Mestre Guarany, Mestre Nuca, Mirian, Nino, Nho Caboclo, Poteiro, Ranchinho, Rubem Valentim, Véio

Curadoria: Paulo Azeco

Abertura: 14 de agosto 2021, sábado, das 12 às 18h

Período: 16 de agosto a 18 de setembro de 2021

G A L E R I A B A S E  |  www.galeriabase.com.br

Alameda Franca, 1030 | Jardim Paulista

São Paulo | SP

(11) 3062-6230

Terça a sexta-feira, das 11 às 19h

Sábados das 11 às 15h